Droga de cidade grande: Inocência vê cocaína ganhar terreno no boom populacional
Com perspectiva de que a população seja multiplicada por quatro nos próximos três anos, Inocência, a 331 km de Campo Grande, vê a cocaína, droga de cidade grande, ganhar terreno.
Com perspectiva de que a população seja multiplicada por quatro nos próximos três anos, Inocência, a 331 km de Campo Grande, vê a cocaína, droga de cidade grande, ganhar terreno. Para se "defender" do crime, câmeras foram espalhadas pela área urbana, criando um "BBB" (Big Brother Brasil), o projeto "Inocência Segura", que monitora a cidade 24 horas por dia, sete dias por semana. As forças de segurança também terão reforço no município. Titular da Delegacia de Polícia Civil de Inocência desde 2014, o delegado Rodrigo Evaristo da Silva afirma que o tráfico migrou de Ribas do Rio Pardo, onde já foi inaugurada fábrica de celulose da Suzano, para Inocência, onde há planta industrial da Arauco em construção. Com certeza, houve aumento no consumo de drogas. Infelizmente, nos alojamentos, acaba tendo muito consumo de drogas. O índice de usuários nesses locais é muito grande. Isso acaba trazendo o traficante. Já teve vários casos aqui de prender traficantes que já tinham sido presos em Ribas do Rio Pardo. A mão de obra veio para cá e o tráfico está vindo junto", diz o delegado. Neste cenário, começa a predominar a cocaína. "Tem aumentado as apreensões de cocaína. Antigamente, a gente tinha apreensão maior de maconha, um pouco de crack. Hoje, os casos são mais de cocaína", enfatiza o delegado. Uma das possibilidades para o avanço é a melhoria do poder aquisitivo, considerando-se que é uma droga mais cara. Antes do boom do crescimento, Inocência tinha perfil mais pacato. "Nos últimos anos, os nossos números de furtos foram bem baixos, já passamos vários anos sem ter roubos. Os poucos homicídios logo eram solucionados. Agora, com essa mudança, teve aumento importante nos casos de furtos. Ainda não registramos aumento de crimes mais graves, está bem controlado. Mas, com certeza, a gente sentiu um aumento no consumo de drogas", afirma Rodrigo. Enquanto a população investe para subir o muro e trocar portões, a Polícia Civil aguarda por mais agentes. "Em breve, nós teremos aumento de efetivo", diz o delegado. Conforme dados de estatística da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), Inocência registrou 14 homicídios dolosos nos últimos 10 anos. Na série histórica, 2024 foi o mais violento, com três casos. Nos anos de 2016 e 2020, não houve registro de assassinato no município. A PM (Polícia Militar) reforça que o tráfico de drogas está em alta. "A gente nota que a maioria do pessoal que foi preso veio de outras regiões, como de Ribas. Já estavam lá no momento do crescimento por causa da fábrica, aproveitaram a situação e vieram para cá", afirma o tenente Fábio Dias, comandante do pelotão da PM na cidade. A investigação ainda não apontou elo dos traficantes com facções criminosas. "Por enquanto, são pessoas que aproveitam do fluxo econômico do município, da grande quantidade de dinheiro que está circulando e, fatalmente, a grande parcela dos colaboradores que vêm para fábrica têm perfil de usuário. Tem muita procura", diz Fábio. A possibilidade de fazer dinheiro com a cocaína trouxe até um novo perfil de traficante para a cidade. Agora, a gente está vendo até estudante, jovem que não tem passagem nenhuma, por nenhum tipo de crime, aproveitando dessa situação e entrando no crime para vender entorpecente". No PES (Plano Estratégico Socioambiental), a Arauco, dona da fábrica de celulose com investimento de 4,6 bilhões de dólares, construirá a sede da Polícia Militar, a sede do Corpo de Bombeiros e comprará viaturas para reforçar a segurança pública. Conforme a Prefeitura de Inocência, ao todo, a empresa vai repassar R$ 85 milhões, sendo R$ 65 milhões de contrapartida obrigatória para mitigar os impactos da instalação da indústria no município e R$ 20 milhões a título de investimento social privado a serem destinados ao Plano Estratégico Socioambiental. O Big Brother Inocência Com a área urbana formada por Centro, quatro bairros e o nascente Distrito Industrial, Inocência é monitorada por 41 câmeras, com gravação ininterrupta e com os arquivos enviados para nuvem (memória virtual). Alguns dispositivos têm serviço de captura de placas OCR (reconhecimento óptico de caracteres), que permite identificar veículos roubados. "As imagens estão disponíveis para consulta e já conseguimos operacionalizar com elas. Mas ainda tem um treinamento agendado e fase de ajustes de posicionamento de algumas câmeras. Tem câmeras OCR, que capturam placas, tradicionais e as de 360 graus. A depender da localização. Por exemplo, nas entradas e saídas são OCR", afirma o comandante. Outras três câmeras serão instaladas na praça, que está em obras. A central de imagens foi instalada no prédio da Polícia Militar, onde quatro telões tomam uma parede. "O sistema vai ficar rodando 24 horas, de maneira ininterrupta. A ideia foi fazer um estudo e levantar os principais pontos. Tanto os mais vulneráveis quanto os de maior movimentação", destaca o tenente. A PM também tem previsão de aumento de efetivo, após a formatura de policiais no meio do ano. "A previsão é que uma parte desse contingente seja alocado em Inocência", afirma Fábio Dias. O comandante enfatiza que os índices de crimes em Inocência se mantêm "baixíssimos", sobretudo em reação ao patrimônio. "O que elevou o número de solicitações é mais voltado à perturbação do sossego, vias de fato. Esse tipo de ocorrência que, normalmente, está relacionado ao consumo de álcool". Na cidade, sempre muito pacata e tranquila, a chegada de boates, que se instalam em áreas residenciais, também tem exigido atuação dos policiais militares. O trabalho é de combate ao tráfico e prostituição, principalmente para que não ocorra casos com menores de idade. As maiores reclamações sobre esses locais são de perturbação de sossego e as mulheres postadas na porta à procura de cliente. Inocência tinha 8.400 habitantes, contando a população da área rural. Oficialmente, a prefeitura informa que atualmente são 8.500 habitantes, mas o cálculo informal é que já são 13 mil pessoas na cidade. A administração prevê que, nos próximos três anos, sejam 32 mil pessoas. Depois, a cidade deve se estabilizar com 19 mil habitantes. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .
Fonte: Campo grande News