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Covid-19: spray nasal feito no Brasil pode estar disponível até 2022

Vacina é desenvolvida por pesquisadores da USP, Unifesp e Fiocruz

Por Valdemar Rocha em 14/09/2021 às 09:40:06
Jorge Campos/Jornal da USP/Direitos Reservados

Jorge Campos/Jornal da USP/Direitos Reservados

Uma vacina em forma de spray nasal contra a covid-19 est√° sendo desenvolvida por pesquisadores da Universidade de S√£o Paulo (USP), em parceria com a Universidade Federal de S√£o Paulo (Unifesp) e a Funda√ß√£o Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em fase de estudos, o novo imunizante promete ser de baixo custo, proteger contra variantes e bloquear o novo vírus ainda no nariz. A expectativa é que ela esteja disponível até o fim de 2022.

"Voc√™ j√° come√ßa a induzir resposta no epitélio nasal e induzir a produ√ß√£o de um anticorpo que é muito importante nas mucosas, que s√£o as IgAs [Imunoglobulina A] secretórias", explica o coordenador do estudo, Jorge Elias Kalil Filho, professor da Faculdade de Medicina da USP e chefe do Laboratório de Imunologia Clínica e Alergia do Hospital das Clínicas.

Além de inovar na forma de inocula√ß√£o do vírus, com aplica√ß√£o pelo nariz e n√£o por via intramuscular, o imunizante também se diferencia no antígeno. "Em vez de usarmos a Spike do vírus de Wuhan, nós vamos utilizar só a RBD [domínio receptor obrigatório, pela sigla em ingl√™s] das quatro variantes de preocupa√ß√£o", diz Kalil Filho. De acordo com a Fiocruz, a proteína Spike é associada à capacidade de entrada do patógeno nas células humanas e é um dos principais alvos dos anticorpos neutralizantes produzidos pelo organismo para bloquear o vírus.

O pesquisador explica ainda que o antígeno vai conter peda√ßos de proteínas que estimulem a resposta celular mais duradoura do que aquela mediada pelos anticorpos neutralizantes. "Nós estudamos 220 pessoas que tiveram a doen√ßa, estudamos também por inform√°tica todo o genoma do vírus e selecionamos fragmentos que teoricamente induzem uma boa resposta celular", acrescenta.

O imunizante, portanto, deve incluir fragmentos que s√£o capazes de matar a célula, caso ela seja infectada. "Se o vírus entrar na célula, a única coisa que voc√™ pode fazer é usar as células chamadas CD8 citotóxicas, que matam a célula infectada", afirma Kalil Filho. O spray deve incluir, portanto, os chamados linfócitos T CD8+ citotóxicos, que matam células doentes, e os linfócitos T CD4+, que auxiliam na produ√ß√£o de anticorpos e nas respostas citotóxicas.

Outra inova√ß√£o do produto é a cria√ß√£o de um tipo de nanopartícula que adere à mucosa do nariz. "A mucosa tem muitos cílios que n√£o deixam nada aderir, mas desenvolvemos um jeito de colocar uma formula√ß√£o específica em que a gente induz uma resposta de mucosa importante", acrescenta o médico.

Sobre o custo, Kalil Filho diz que deve ficar em torno de US$ 5, mas que ainda s√£o necess√°rias outras an√°lises relacionadas ao rendimento. "Nós temos alguns laboratórios que produzem proteínas recombinantes, mas ainda est√° muito no início, ent√£o estamos tratando com as empresas farmac√™uticas pra ver se a gente acha alguma que consiga produzir com boa quantidade".

A vacina spray nasal pode funcionar como um refor√ßo para as doses j√° existentes e aplicadas por via intramuscular. "Provavelmente, quando o spray estiver pronto, boa parte da popula√ß√£o mundial vai estar vacinada. Eu acredito que ele vai ser, sobretudo, como uma dose de refor√ßo", afirmou o médico.

Edição: Graça Adjuto

Fonte: Agência Brasil

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